Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer,
A água é tão transparente que se podem observar os corais...
Ver os pequenos cardumes nadando rapidamente para longe.
É doce e colorido. É calmo, é quieto. É profundo. Basta-me.
As água-vivas movem-se de forma inspiradora. Voam no azul do mar.
Dançam de nuvem em nuvem um balé interminável,
Compondo sustenidos de uma sinfonia aquática.
Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer...
Descuidar-se pode levá-lo fundo demais.
Então, de repente não há mais corais.
Não se podem ver os pequenos cardumes.
As cores foram aprisionadas nas sombras do cotidiano, definharam-se.
A água é turva, é mentirosa...
E a pressão é grande, seus ouvidos podem não agüentar.
Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer.
O oxigênio é tão pouco pra nós dois, que eu poderia vender o meu...
É raro e parco. É insuficiente, é escasso. É carbono. E ainda assim basta-me.
Os pequenos cardumes vivem numa fuga constante.
Fogem de sua própria existência, e vice-versa.
Estar aqui é como mergulhar num oceano.
Oceano não mais qualquer.
Já não há nada mais cativante do que estar aqui...
Eis me aqui. Parabéns, sou cativo. Sou cativeiro.
Aprisionei-me a mim mesmo.
Torturador apaixonado pelo torturado. Tem nome pra isso?
Estar aqui é como mergulhar...
Já não há mais água-vivas...
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