"Meu receio é não saber mais o contorno da tua sobrancelha... Deixa-me saber que não esqueceste o número do meu telefone. Que sensação de "não-viver" que isso traz... Que pesadelo."

sábado, 10 de setembro de 2011

Feito Dente de leão !

Estou tão cansado...
Se não há diferença entre um e outro
Não há o porquê do esforço
Nem sentido da luta.
Minhas forças se esvaem feito dente de leão
Que no sopro do vento se desfaz...
E voa somente até onde sua força permite.
Sabe...
Viver é estar no limite
Testar todos os dias o próximo passo
E sobreviver é a vitória do dia seguinte
Ir em frente requer coragem,
E coragem é o dom dos destemidos!
Aos tímidos resta o sofrimento da espera.

domingo, 4 de setembro de 2011

Oceano


Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer,
A água é tão transparente que se podem observar os corais...
Ver os pequenos cardumes nadando rapidamente para longe.
É doce e colorido. É calmo, é quieto.  É profundo. Basta-me.
As água-vivas movem-se de forma inspiradora. Voam no azul do mar.
Dançam de nuvem em nuvem um balé interminável,
Compondo sustenidos de uma sinfonia aquática.
 Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer...
Descuidar-se pode levá-lo fundo demais.
Então, de repente não há mais corais.
Não se podem ver os pequenos cardumes.
As cores foram aprisionadas nas sombras do cotidiano, definharam-se.
A água é turva, é mentirosa...
E a pressão é grande, seus ouvidos podem não agüentar.
Estar aqui é como mergulhar num oceano qualquer.
O oxigênio é tão pouco pra nós dois, que eu poderia vender o meu...
É raro e parco. É insuficiente, é escasso. É carbono. E ainda assim basta-me.
Os pequenos cardumes vivem numa fuga constante.
Fogem de sua própria existência, e vice-versa.
Estar aqui é como mergulhar num oceano.
Oceano não mais qualquer.
Já não há nada mais cativante do que estar aqui...
Eis me aqui. Parabéns, sou cativo. Sou cativeiro.
Aprisionei-me a mim mesmo. 
Torturador apaixonado pelo torturado. Tem nome pra isso?
Estar aqui é como mergulhar...
Já não há mais água-vivas... 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Poeta


Eu sou um poeta desmedido, meu caro, daqueles que não sabe sofrer pouco.
Daqueles que não sabe não sofrer.
Daqueles que sofre vivendo.
Eu sou daqueles que o pouco já é muito,
E daqueles que o muito não é suficiente.
Eu sou o lírico sem o equilíbrio do eu, sou sem mim.
Um romântico desvairado...
Um idealista convulso, frenético.
Desculpe-me, eu sou poeta.
Poeta meu caro, daqueles sem poesia, sem rima. Daqueles sem cantiga...
Mas ainda poeta.
Eu sou poeta daqueles sem raiz.
Eu sou desses, destes, daqueles... 
Eu sou o sujeito decomposto. 
Sou dos convulsivos, dos exorbitantes, dos detalhistas.
Sou dos sonhadores...
E sonho.
Sou daqueles irrealistas, fantasiosos.
E não consigo não ser.
E às vezes o que dói é exatamente isso... Não ser.
Alteado sobre a normalidade, e sobre a realidade.
Não sou.
Não sou daqueles compreendidos, nem sou daqueles respeitados
Não sou dos ouvidos, nem dos falados.
Sou sujeito, e minha oração é subordinada.
Rogai por mim, Padeço...
Padeço poeta.