Eu sou um poeta desmedido, meu caro, daqueles que não sabe sofrer pouco.
Daqueles que não sabe não sofrer.
Daqueles que sofre vivendo.
Eu sou daqueles que o pouco já é muito,
E daqueles que o muito não é suficiente.
Eu sou o lírico sem o equilíbrio do eu, sou sem mim.
Um romântico desvairado...
Um idealista convulso, frenético.
Desculpe-me, eu sou poeta.
Poeta meu caro, daqueles sem poesia, sem rima. Daqueles sem cantiga...
Mas ainda poeta.
Eu sou poeta daqueles sem raiz.
Eu sou desses, destes, daqueles...
Eu sou o sujeito decomposto.
Sou dos convulsivos, dos exorbitantes, dos detalhistas.
Sou dos sonhadores...
E sonho.
Sou daqueles irrealistas, fantasiosos.
E não consigo não ser.
E às vezes o que dói é exatamente isso... Não ser.
Alteado sobre a normalidade, e sobre a realidade.
Não sou.
Não sou daqueles compreendidos, nem sou daqueles respeitados
Não sou dos ouvidos, nem dos falados.
Sou sujeito, e minha oração é subordinada.
Rogai por mim, Padeço...
Padeço poeta.
Lindo!
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